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  • Foto do escritorJornal do Juvevê

Fofoqueiros


Os dois chegam ao bar, escolhem uma mesa e pedem suas bebidas. São companheiros de trabalho de alguma empresa aqui perto e vieram para o happy hour. Aparentemente tudo que têm em comum, além do gosto pela cerveja, sejam as relações de trabalho. No terceiro ou quarto copo a conversa vai aos assuntos da empresa.

- Cara! Vou dizer um negócio, mas não conte pra ninguém! A Laurinha tá fazendo a cabeça do diretor, tá de olho no teu cargo.

- Já desconfiava, aquela cobra vive espionando todo mundo. Outro que é assim é o Alberto, foi ele que entregou você pra chefia naquele dia. Não tá aqui quem te disse, hein?!

- Bico fechado. É que tá complicado o ambiente, qualquer coisinha o Mário faz sinal para o Arnaldo, os dois vão ao banheiro e ficam de cochicho. Outro dia fui atrás e os ouvi tramando contra a Cleusa.

-E o Humberto, poxa, é diretor e não faz nada. Será que ele tá pegando a Laurinha?

- Você também desconfia disso? Porque na produção não se fala de outra coisa.

- Pode ser só a "rádio peão”, mas se tem fumaça tem fogo. No caso da Rita com o Carlão foi assim, sabia?

- Sério? A Rita sempre me pareceu tão pudica.

- Sério mesmo e tão dizendo que eles, juntos, estão desviando dinheiro da empresa, só não comente com ninguém, porque isso eu só ouvi falar.

- Fica tranquilo. Não sou doido de abrir a boca lá. Naquela empresa só tem fofoqueiros.

-Concordo.

Arre, que nunca aconteça de eu ficar sozinho no bar novamente. Sem ter com quem conversar, a gente começa a prestar atenção na conversa alheia e acaba ouvindo essas coisas.

Só que, por favor, não digam que eu lhes contei. Que fique só entre nós.


Watson

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