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Quem é e como pensa Deltan Dallagnol

Jornal do Juvevê entrevistou o candidato a Deputado Federal Deltan Dallagnol


-Conte um pouco da sua história.

As pessoas me conhecem mais pelo meu trabalho profissional como professor, ex-procurador da República e mestre em direito por Harvard (revalidado pela UFPR). Durante os 18 anos que passei no Ministério Público Federal, acumulei experiência em grandes investigações criminais, trabalhando em grandes casos de tráfico de drogas, pedofilia e também de corrupção e lavagem de dinheiro, como o Banestado e Lava Jato. Na coordenação da força-tarefa de procuradores do caso Lava Jato em Curitiba, alcançamos resultados inéditos com a ajuda da sociedade: a prisão e a condenação de mais 150 pessoas influentes por corrupção e lavagem de dinheiro; a recuperação de cerca de R$ 15 bilhões; e a revelação do mecanismo da corrupção brasileira. Mas para além da carreira profissional, eu sou o Deltan nascido e criado em Pato Branco. Vim para Curitiba com 14 anos. Sou casado, pai de três filhos, cristão. Uma curiosidade é que eu tenho paixão pelo surf, adoro surfar, pratico esse esporte desde os 15 anos.


-Como surgiu o interesse pela política?

Na verdade, não tenho um interesse especial pela política e sim pelo combate à corrupção e prosperidade do país e descobri que isso só pode acontecer por meio de uma melhor política. Eu tenho cosmovisão cristã, por isso toda minha vida sempre foi pautada pelo servir. Assim se deu a escolha da minha carreira e assim se dá a decisão de ingressar na vida pública. Eu percebi, especialmente ao longo da Lavo Jato, que a justiça não vai mudar a política, por isso é preciso que nós, cidadãos de bem, possamos invadir democraticamente o Congresso Nacional para mudar o sistema de dentro. Por isso, tomei a decisão mais difícil da minha vida: abrir mão de uma carreira consolidada e estável para continuar servindo a sociedade, lutando para mudar o Brasil .


-Por que decidiu sair pré-candidato a Deputado Federal? E não estadual? A minha escolha nesse momento se deu pelas mudanças que quero promover e pelas pautas em que acredito que tenho uma contribuição maior a oferecer. Hoje as engrenagens da Justiça estão ajustadas para proteger corruptos poderosos contra punições. Tanto é assim que 97 a cada 100 casos de corrupção terminam em plena impunidade. Apesar das dificuldades, eu não desisti de lutar contra esse mal que assola o Brasil e o Congresso Nacional é o local mais adequado para isso. Busco trabalhar pelo fim ou redução do fundão eleitoral, pelo fim do foro privilegiado e pela volta da prisão em segunda instância, por exemplo, e todas essas pautas são do Congresso Nacional. Por isso, apoio o Projeto 200+, um movimento da sociedade civil que quer eleger pelo menos 200 deputados federais e senadores comprometidos com essas pautas. Não adianta eleger apenas alguns poucos parlamentares para lutar contra o sistema corrupto. É preciso uma renovação do Congresso Nacional com qualidade, para que possamos efetivamente dar voz aos anseios da população que está cansada da corrupção e da impunidade.


-Quais serão suas bandeiras?

Meu compromisso se baseia em três pilares: a Justiça, a prosperidade e o cuidado com as pessoas. Por isso, defendo com tanto afinco as mudanças que podem ajudar a combater a corrupção, como a prisão em segunda instância e o fim do foro privilegiado, por exemplo.

Precisamos deixar de ser o país da impunidade para nos tornarmos o país da prosperidade. Para isso, também é importante reduzir a burocracia e trabalhar para melhorar a transparência, gestão e eficiência do Estado. Mas tudo isso precisa ser feito sem esquecer o meu principal propósito, que é melhorar a vida das pessoas. Vamos combater a pedofilia, a violência, trabalhar para reealizar os direitos das pessoas com deficiência e criar uma política pública nacional para garantir tratamento intensivo e precoce para autistas.


-O senhor (a) já tem algum projeto em mente?

Sim, muitos, a começar pelas 70 propostas que fazem parte das Novas Medidas Contra a Corrupção, que ajudei a elaborar. Vou ainda trabalhar para aperfeiçoar o sistema de justiça criminal brasileiro e garantir mais segurança jurídica para os negócios; extinguir ou reduzir o fundão eleitoral de R$ 4,9 bilhões; melhorar o sistema eleitoral brasileiro, com a

implementação de regras mais efetivas e reduzindo o custo das campanhas eleitorais; reduzir o número de partidos e garantir candidaturas independentes; trabalhar para melhorar a transparência, gestão e eficiência do Estado; reduzir a burocracia e o custo do Estado; defender a liberdade religiosa e de culto dos brasileiros; defender os princípios da vida e da família; combater a pedofilia, as drogas e todo tipo de violência; defender o direito de o cidadão ter arma em casa para defender sua família; realizar os direitos das pessoas com deficiência e criar uma política pública nacional para garantir tratamento intensivo e precoce para autistas.


- O senhor (a) acredita que haverá uma grande mudança na câmara dos deputados? Eu espero que sim e não só uma mudança de seis por meia dúzia, mas mudança de postura. É por isso que tenho apoiado incansavelmente o Projeto 200+, um movimento organizado pela sociedade civil que pretende eleger pelo menos 200 deputados e senadores comprometidos com três pilares básicos:

1) Combate à corrupção (fim do foro privilegiado e prisão em segunda instância).

2) Preparação e reciclagem política.

3) Extinção ou redução do Fundão Eleitoral.

Após o registro de candidaturas, os candidatos poderão assinar publicamente o compromisso com as pautas e os seus nomes serão listados no site 200mais.com. Lembrando que o Projeto 200 Mais é apartidário.


-Qual é o seu posicionamento referente a condenação em segunda instância? A condenação em segunda instância é fundamental para combater a corrupção e a impunidade no Brasil. A Lava Jato só avançou porque havia, na época, uma possibilidade real de os investigados serem condenados e cumprirem a pena. Por isso tivemos tantos acordos de colaboração premiada, que nos ajudaram a recuperar mais de R$ 15 bilhões aos cofres públicos e que nos permitiram avançar nas investigações. Se a gente condena criminosos que roubam o dinheiro da população, mas eles só são presos depois de esgotar todos os recursos, depois de vinte anos, isso garante a prescrição, que é uma espécie de cancelamento das punições em razão da demora da justiça. É a consagração da impunidade.


-Quais as medidas necessárias para fortalecer o combate à corrupção?

Muita coisa precisa ser feita para fortalecer o combate à corrupção no Brasil, mas com certeza a prisão em segunda instância e o fim do foro privilegiado são as medidas mais urgentes que precisam ser debatidas e aprovadas no Congresso Nacional.


-Existem pessoas que tornaram a política uma profissão. Como o senhor (a) enxerga isso? Um Deputado Federal ganha R$ 33 mil Reais, mais benefícios. Sabendo que o salário mínimo no Brasil é de R$ 1.100.00 o senhor não acha que exista uma diferença muita grande?

Eu costumo dizer que os dois maiores problemas do Brasil são a corrupção e a incompetência. É preciso que as pessoas que se dispõem a exercer o cargo público se preparem tecnicamente para isso. Ser um médico, engenheiro, advogado, não qualifica a pessoa para ser um bom deputado, por exemplo. Por isso, estudar gestão pública, orçamento e outros assuntos relacionados a esta área são essenciais para um mandato eficiente. Então a questão pra mim não é há quanto tempo a pessoa está na política, mas sim se é uma pessoa íntegra e competente. Eu não trocaria alguém que está há décadas na política e que é íntegro e competente por um novato corrupto ou incompetente, assim como prefiro alguém novo que seja correto e competente a alguém que está há décadas encostado na política sem compromisso com a sociedade. O foco está em colocarmos no Congresso bons políticos, novos ou velhos. Além disso, precisamos trabalhar para combater os privilégios.


-O (a) senhor (a) é a favor da reeleição?

Mais importante que discutir a reeleição, é preciso discutir o projeto de país. Um projeto que precisa ser pensado a longo prazo para que possamos avançar sempre ao invés de dar um passo para frente e dois para trás. Entendo que grande parte desses projetos exigem um tempo maior que quatro anos para serem encaminhados, mas também entendo e defendo a oxigenação do Congresso com novas lideranças, mantendo as boas, que hoje são poucas infelizmente, e trocando as ruins..

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