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  • Foto do escritorJornal do Juvevê

O Paraná mata mulheres!

De acordo com os dados da Secretaria de Segurança Pública, o Estado do Paraná tem um feminicídio a cada cinco dias. Ainda, em três anos, mais de 400 crianças ficaram órfãs vítimas dessa violência


A conta não bate...Todas nós conhecemos várias mulheres vítimas de violência, mas não conhecemos um agressor. Diariamente, meninas e mulheres são submetidas a ataques físicos ou psicológicos. Seja por um parceiro, uma pessoa em posição de poder ou até pelo sistema.

Em 2021, ocorreram um total de 1.319 feminicídios no país, recuo de 2,4% no número de vítimas registradas em relação ao ano anterior. Em média, uma mulher foi vítima de feminicídio a cada 7 horas.


O ano passado foi marcado pela retomada do crescimento de registros de estupros e estupros de vulnerável contra meninas e mulheres no Brasil. Foram registrados 56.098 boletins de ocorrência de estupros, incluindo vulneráveis, apenas do gênero feminino. Isso significa dizer que, no ano passado, uma menina ou mulher foi vítima de estupro a cada 10 minutos, considerando apenas os casos que chegaram até as autoridades policiais. Os dados são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.


E o cenário não é nada bom para quem é mulher: em 2022, uma mulher morreu vítima de feminicídio a cada cinco dias no Paraná apenas no primeiro trimestre. E a cada seis minutos e meio, um caso de violência contra a mulher é registrado.

Essa realidade coloca o Brasil no pavoroso ranking de países mais perigosos para mulheres, na 5º posição com maior taxa de feminicídios. Os dados são do Mapa da Violência da Organização Mundial da Saúde (OMS).


“O feminicídio não é aceitável em uma democracia, pois é a violação de um dos direitos mais fundamentais do ser humano: o direito à vida. É preciso visibilizar que há um problema muito sério no Brasil: estão matando mulheres. Ou seja, estão assassinando mulheres de modos muito cruéis, em muitos casos de formas absolutamente atrozes, e mulheres cada vez mais jovens.”

Ana Isabel Garita Vilchez, criminologista e ex-ministra da Justiça da Costa Rica.


Além das mulheres, o feminicídio faz outras vítimas: os filhos que se tornam órfãos e, geralmente, perdem também o pai, já que a maioria esmagadora dessa brutalidade é cometida pelos maridos ou ex-maridos da vítima. Essa é uma dívida impagável do Estado com essas crianças e que não tem sido olhada com atenção pelas políticas públicas atuais. Em três anos, os feminicídios deixaram mais de 400 crianças órfãs no Paraná.

Ao menor sinal de violência é preciso denunciar e as mulheres têm tomado cada vez mais coragem para isso. Mas, para além da iniciativa da vítima, é necessário que os mecanismos de proteção funcionem efetivamente para proteger as mulheres e, ainda mais importante, mudar o pensamento de posse que os homens têm sobre nós educando nossos meninos, punindo exemplarmente os agressores e garantindo apoio às mulheres e seus filhos que presenciam tamanha violência.

Combater a violência contra a mulher é um dever de toda a sociedade e começa com os exemplos que damos às nossas crianças e a educação que recebem, tanto em casa quanto nas instituições, referente ao assunto.


Disque 180 para denunciar ou 190 para casos de flagrantes No Paraná você também pode denunciar anonimamente pelo 181. Mulheres com medidas protetivas podem acionar a Patrulha Maria da Penha, pelo 153. As vítimas podem ainda fazer o registro do boletim de ocorrência on-line [www.policiacivil.pr.gov.br].


Sobre a autora:

Amanda Gimenez é consultora de marketing, empreendedora, mãe da Aurora e do Juarez. Conheça mais em @euamandagimenez



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