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  • Foto do escritorJornal do Juvevê

Mesa Solidária de Curitiba alimenta quem precisa com refeições gratuitas e dignidade

O trabalho com os voluntários consiste ainda na elaboração de cartilhas de orientação sanitária com instruções específicas quanto à lavagem de mãos, utilização de tocas nas cozinhas, materiais de segurança, os cuidados e a higiene durante o processo de preparo e armazenamento das refeições.


Enquanto aguardam na fila para receber a refeição do meio dia, muitos frequentadores do Mesa Solidária Luz dos Pinhais, no Centro, ficam ansiosos e impacientes, mesmo com tempo curto de espera e o empenho dos voluntários para agilizar o atendimento. Há uma explicação clínica compreensível para esses efeitos, segundo a coordenadoria do programa que oferta refeições gratuitas para pessoas em vulnerabilidade. A mudança no humor e de comportamento indica, na maioria das vezes, falta de glicose no organismo, aumento de cortisol e, consequentemente, do estresse.


Para a maioria dos usuários do Mesa Solidária Luz dos Pinhais, a marmita servida dentro do espaço arejado, com mesas limpas, cadeiras fixas lado a lado e talheres adequados, é a única refeição do dia. Quem tem fome tem pressa e os voluntários do Mesa Solidária compreendem a lógica dessa frase lançada pelo sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, ao garantir serviços urgentes de alimentação e apoio social aos frequentadores.


Atendimento social

Em média, almoçam na unidade Luz dos Pinhais, de segunda à sexta-feira, 200 pessoas, sempre após a entrega das senhas, pela equipe de voluntários do programa. No jantar, são mais 300 refeições servidas todos os dias. O público é formado por pessoas em situação de vulnerabilidade social, de insegurança alimentar, nutricional e em situação de rua.


Mais de 1 milhão

Desde a abertura do programa, em 2019, foram servidas, nas cinco unidades do Mesa Solidária, 1,2 milhão de refeições na cidade. Os alimentos são preparados e distribuídos por grupos de 1.200 voluntários espalhados pela cidade, nas unidades Mesa Solidária Patrícia Casillo (Viaduto do Capanema, no Jardim Botânico), Luz dos Pinhais (Praça Tiradentes, Centro), Dom Bosco (Campo de Santana), Vila Agrícola (Cajuru) e na cozinha comunitária Plínio Tourinho (anexo à Praça Plínio Tourinho, no Rebouças).


O Mesa Solidária Patrícia Casillo serve 200 refeições no jantar. Aos fins de semana, os números aumentam. São entregues 300 lanches, 200 almoços e outros 200 jantares. Já o Mesa Solidária Dom Bosco serve 170 refeições às terças-feiras. Na cozinha comunitária Plínio Tourinho sáo preparadas refeições para os demais locais e a unidade da Vila Agrícola passará a ofertar marmitas até o fim do ano (neste momento, já está oferecendo cursos profissionalizantes voltados à segurança alimentar).


Refeição iluminada

Maria de Lourdes Barbosa, de 72 anos, é frequentadora da unidade Luz dos Pinhais. Ela é uma mulher franzina, não ouve muito bem, tem o rosto cheio de expressões marcantes do tempo e um olhar profundo. Moradora da Barreirinha, Maria sai todos os dias de casa, pega o ônibus ou carona para aproveitar a refeição quentinha servida na hora do almoço no Mesa Solidária Luz dos Pinhais.


Maria de Lourdes não tem emprego. A filha, de 30 anos, faz alguns serviços extras e eventuais em um restaurante. Além de apreciar o cardápio, ela consegue economizar os recursos que gastaria para comprar ou preparar as refeições diárias do almoço


Ecossistema alimentar

O Mesa Solidária faz parte de um ecossistema inovador no Brasil, composto pelo poder público, sociedade civil, iniciativa privada e comunidade: o chamado modelo de hélice quádrupla. A proposta do programa, segundo explica o coordenador, Admaro Anderson, é direta e clara. “O Mesa Solidária, numa perspectiva simples, é um ambiente favorável para promoção do voluntariado e da segurança alimentar e nutricional no combate à fome”, destacou.


Na base das ações solidárias está o poder público com o apoio unificado da Secretaria Municipal de Segurança Alimentar e Nutricional (SMSAN), Fundação de Ação Social (FAS), Secretaria Municipal da Saúde e Guarda Municipal. Concebido em dezembro de 2019 pelo prefeito Rafael Greca, pouco antes da crise sanitária e social provocada pela pandemia do coronavírus, o programa organizou um ecossistema em parceira com os segmentos da sociedade.


Na prática, o ecossistema tem apenas uma função. Alimentar as pessoas em situação vulnerável na cidade. Essa é, segundo os coordenadores do Mesa Solidária, a única perspectiva e expectativa real do programa.


Impressão e qualidade

O caso de José Francisco de Jesus atende a essa perspectiva. Jesus chegou de Paranaguá para morar com o irmão, em janeiro, depois de uma temporada na cidade portuária. Está desempregado, mas ajuda como voluntário na cozinha do Restaurante Popular do Capanema. Como voluntário, consegue também pegar experiência profissional para trabalhar na área de alimentação. Por isso, está inscrito em um curso de auxiliar de cozinha no Senai.


No Mesa Solidária Luz dos Pinhais, almoçou pela primeira vez na última semana e ficou impressionado com a qualidade da refeição, os cuidados e a atenção dos voluntários. “O pessoal é muito educado, eficiente e a comida saborosa demais. Foi a primeira vez aqui. Penso em voltar outras vezes e continuar meu trabalho voluntário no outro restaurante (Capanema)”, ressaltou.


Grupos sociais

O preparo das refeições, tanto nas cozinhas industriais, quanto fora das unidades do programa, é feito pelos grupos sociais ativos da cidade. Neste momento, participam do Mesa Solidária 58 grupos formados, essencialmente, por pessoas unidas no combate à fome.


A maioria dos grupos prepara as refeições fora das unidades do programa. Mas em algumas unidades do Mesa Solidária, o município equipou os espaços com modernas cozinhas industriais para o preparo dos alimentos servidos aos usuários. Atualmente, contam com as cozinhas e o preparo das refeições no local as unidades Patrícia Casillo, Dom Bosco e Plínio Tourinho.


Banco de Alimentos

O Mesa Solidária funciona com o reforço poderoso do Banco de Alimentos de Curitiba. O projeto arrecada e abastece boa parte dos grupos sociais com alimentos para o preparo das refeições servidas. As doações são, geralmente, feitas por empresas, indústrias e companhias da iniciativa privada compadecidas ao programa de combate à fome na capital.


O envolvimento das empresas é importante e representa, claramente, a face real de sensibilização social histórica característica em Curitiba.


Banco sustentável

Principal fonte de arrecadação e distribuição dos alimentos para o Mesa Solidária, o fortalecimento do Banco de Alimentos de Curitiba é fundamental para a manutenção do sucesso do programa. Por isso, a coordenação reforça sempre à sociedade e às empresas o pedido e a presença nas ações que envolvem, diretamente, o Mesa Solidária.


Um exemplo da parceria entre poder público, voluntários, comunidade e a iniciativa privada ocorreu em 2022. Em evento de sensibilização social promovido no Club Athletico Paranaense, foram arrecadadas e repassadas 22 toneladas de alimentos pela comunidade ao Banco de Alimentos de Curitiba. Os mantimentos abasteceram, principalmente, os grupos sociais envolvidos no preparo das refeições destinadas ao Mesa Solidária. “Banco de Alimentos cheio é sinal de combate à fome na cidade”, reforçou ainda o gerente do programa, Admaro Anderson Pinto.


Jornada da comida

Para o alimento chegar aos refeitórios do Mesa Solidária, os grupos sociais fazem o preparo em cozinhas das próprias sedes das organizações, em cozinhas comunitárias, nas casas de voluntários e apoiadores do projeto. Os grupos também fazem a captação desses alimentos, doados por voluntários ou dentro do Banco de Alimentos do Município.


Depois disso, avisam a assistente social do programa sobre a quantidade de marmitas preparadas e o agendamento da entrega nas unidades do Mesa Solidária. “Nós temos uma pessoa na equipe, uma assistente social, responsável por essa integração e interação com os grupos sociais”, disse ainda Anderson.


Este alinhamento de agendas, na visão do gestor, é o grande segredo de sucesso do Mesa Solidária. Segundo ele, a organização da jornada dos alimentos permite definir o dia e horário de entrega das refeições, a quantidade preparada e o número de senhas exatas distribuídas no almoço e também no jantar.


Caminho feliz

A jornada ou caminho feliz da comida, como os profissionais e voluntários do programa definem, termina com a entrega diária das marmitas, distribuição de senhas, orientação sobre higiene e o esperado servimento das marmitas aos usuários.

“Isso também tem a ver com a recuperação da dignidade dos frequentadores, quando eles deixam as ruas, os guetos e as sarjetas para servirem-se de modo digno, para comer na luz, em companhia com as outras pessoas, em pares, em mesas certas, dignamente”, completou Admaro Anderson.


Serviços procurados

Além das refeições, muitos frequentadores aproveitam para usar os banheiros. O serviço, de acordo com a coordenação do programa, é muito procurado. A dignidade citada por Anderson passa pela orientação sobre a lavagem e higienização das mãos e também, após a refeição concluída, ao descarte apropriado das embalagens das marmitas nas lixeiras.


O atendimento prossegue, então, para o cadastro e o acolhimento dos usuários à Rede Socioassistencial do Município. Após as refeições ou caminho do alimento, a ideia é retirar os usuários das ruas e os encaminhar para vários serviços de assistência, abrigo e acolhimento social.


Fonte: PMC

Foto: Levy Ferreira/SMCS

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