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  • Foto do escritorJornal do Juvevê

Maternidade: o jogo da vida


Resolvi escrever sobre a maternidade usando a analogia dos jogos eletrônicos.

São 9 meses adquirindo resistência e fortalecendo o corpo e a mente. Essa é a mais fácil das fases, que vem acompanhada de enjoo, estrias, inchaço e excesso de peso. Depois de tudo isso, chega a primeira grande fase do mundo da maternidade real: o parto.

Nessa fase, além dos cortes e costuras, você recebe nos seus braços aquele presentinho, que você observa e aprende a amar e respeitar. Junto com ele, vem a fase de puerpério, da privação do sono, choros sem fim, cansaço e a amamentação, que para algumas é uma fase de resistência. É a mais fácil das fases difíceis, diziam minhas amigas já experientes.

Quando nasce um filho, nasce uma mãe. É a fase da metamorfose, de renascer. Uma fase que contém idealismo nas palavras. Porém, na prática, contém muita busca, muita dúvida e poucas respostas. É uma grande construção, é viver a cada dia uma expectativa de algo desconhecido.

De acordo com o IBGE, mais de 12 milhões de mulheres são mães solo, as únicas responsáveis pela casa, trabalho e cuidado com filhos. Dessas mães solo, 57% vivem abaixo da linha da pobreza, e 61% são negras. Significa que 10% da população feminina educa seu filho sozinha, porque 12% da população masculina não assumiu a paternidade.

Ato de amor incondicional e impositivo. O total de crianças que tem apenas o nome da mãe no registro representa 6,6% dos recém-nascidos. Por dia, uma média de 470 crianças sem o nome do pai na certidão de nascimento. No Paraná, a média diária é de 18 crianças.

Os desafios não acabam aí. Poderíamos falar das fases dos 2 anos, perigos digitais, adolescência, drogas, independência, educação, princípios e valores. E poderíamos ainda citar as mães de crianças especiais. São mães e filhos que necessitam de auxílio de profissionais e compreensão da sociedade.


Além dos inúmeros desafios sociais, surgem as dificuldades financeiras e do mercado de trabalho, com as duplas e triplas jornadas. Pesquisas mostram que, um ano após o nascimento dos filhos, 50% das mulheres ficam desempregadas. Hoje, 42% das crianças de 0 a 3 anos precisam de creche. Em Curitiba, a fila de espera por vagas em CMEIs é de mais de 9 mil crianças.

Essa conta não fecha. A mãe precisa da rede de apoio para trabalhar.

Numa sociedade cada vez mais individualista, é indispensável um olhar mais empático para essa realidade. E uma das formas é cobrar investimento e eficiência na gestão das políticas públicas, com infraestrutura adequada para que crianças e mães, possam passar mais esse desafio, no jogo da vida.

Apesar de todos os obstáculos e desafios, a vida é feita de fases. Mas a maternidade é eterna e transformadora. Muda seu olhar e constrói um novo ser, mais humano, mais atencioso, de coração quente e acolhedor. Que nesta data todas as mães possam refletir sobre a importância do seu papel. Que saibam que estão fazendo o melhor para seus filhos e que cuidem mais de si mesmas.



Carolina Maia

Advogada

Mestre em gestão ambiental

Membra efetiva do Conseg Seminário e Vila Izabel

Membra da Comissão das Mulheres Advogadas da OAB/PR

Membra da Comissão de Estudos de Compliance Anticorrupção Empresarial



Enfim, é isso. Você pensa que está na fase final do jogo da maternidade, essa mãe que espera ter encaminhado seus filhos pelos trilhos da honra e dignidade. Mas aí vem o aviso de que agora você precisa cuidar também de sua mãe. Depois de anos de dedicação, o ciclo se inverte e é a sua hora de cuidar de quem cuidou de você.

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