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  • Foto do escritorJornal do Juvevê

Dores musculares e sofrimento psicológico compromete a harmonia no ambiente de trabalho


*Adriana Belintani

 

Considerado um dos principais motivos de afastamento do trabalho, as doenças osteomusculares (DORT), como a Lesão por Esforço Repetitivo (LER), incapacitam não só fisicamente, mas afetam diretamente o estado psicológico do trabalhador. Anualmente, cerca de 30 mil pessoas sofrem com o mal no Brasil, conforme o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

 

Para compreender as estatísticas, é preciso analisar a condição das estruturas oferecidas nesse ambiente de trabalho, tais como ergonomia, pausas frequentes, manejo de pesos compatíveis. Essa análise minuciosa deve ser considerada e tratada com seriedade pelas empresas e, também, pelo próprio profissional, que precisa identificar se está confortável ou não em seu posto de trabalho.

 

Mas o que encontramos, na prática, é um descaso perante as doenças musculares, que são muitas vezes negligenciadas ou ainda tratadas de modo desumanizado.

 

O incômodo e restrição causados pelas dores frequentes deve ser diagnosticados por meio de exames médicos, acompanhados de laudos clínicos e afins. Já os sintomas que comprometem a saúde mental, normalmente, ficam à deriva. O fato é que em muitos casos, a causa do desconforto está relacionada à alta demanda de trabalho da função. É o que é chamado de estresse emocional, que apresenta indícios como formigamentos, tensão e rigidez muscular, inchaços, inflamação nos tendões, perda força muscular, entre outras limitações.

 

O que muitos esquecem, é que o poder limitador da DORT desencadeia, em pouco tempo, quadros de depressão, desânimo, baixa autoestima, irritabilidade, incapacidade de visualizar perspectivas positivas e distúrbios do sono. Independente do estado físico, são esses quadros que estão diretamente ligados ao aumento do número de afastamentos do trabalho. Por sua vez, o afastamento pode piorar o quadro, visto que se estabelece dúvidas sobre a perspectiva de melhoria de condições de trabalho, do retorno normal às funções e, até, da possibilidade de ser readmitido no quadro funcional.

 

A linha tênue entre a dor física e psicoemocional precisa ser revisitada pelos empregadores. É preciso incluir essa pauta na cultura organizacional das companhias. Afinal, a prevenção ainda é a melhor forma de construir o bem-estar no trabalho. Ações como o estabelecimento da ginástica laboral, meditação, pausas nos ambientes de interação pessoal, planejamento de demandas, atendimento psicológico, humanizam a relação de trabalho. Essa reflexão tem sido amplamente discutida pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que define a cultura organizacional como o resultado do conjunto de crenças e práticas cotidianas da empresa que afetam o bem-estar mental e físico dos trabalhadores.

 

É evidente que os vínculos atuais entre empregadores e trabalhadores é uma relação integrativa, por isso, os direitos trabalhistas não devem ser tidos apenas como ameaças para assegurar benefícios. Por outro lado, negligenciar políticas de qualidade de vida trabalho fere pessoas, diminui a produtividade e impacta na credibilidade da marca do empregador.

 

Sobre Adriana Belintani - Advogada especialista em saúde mental com mais de 20 anos de atuação nas áreas trabalhista e previdenciária. Com escritório sediado em Pindamonhangaba, interior de São Paulo, Belintani tem clientes em todo o Brasil e atende principalmente processos de trabalhadores que desenvolveram alguma doença referente à saúde mental por conta do trabalho, que tiveram algum acidente na empresa ou algum tipo de doença ocupacional. A profissional ainda atua fortemente na divulgação e no esclarecimento dos motivos que levam as pessoas a adoecerem no ambiente do trabalho.

 

Foto: Divulgação

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