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Dependência Emocional



Hoje vamos tratar de um tema muito importante, porém pouco debatido que é a dependência emocional, para tanto, vamos conhecer o caso de Flor, uma esposa que sentia muita gratidão por seu relacionamento conjugal, visto que intimamente acreditava ser uma pessoa sem valor.

Gastava muita energia no sentido de não deixar seu parceiro perceber o quanto sentia-se inferior a ele e assim realizava tudo o que estava ao seu alcance para deixá-lo feliz e satisfeito.

Vivia uma rotina bastante extenuante, desdobrando-se nos cuidados com a casa, os filhos e o trabalho.

Não tomava decisão alguma sem a anuência e opinião do marido, tanto que aos poucos foi perdendo sua identidade, não sabia quais eram os seus verdadeiros gostos.

Sua maior vontade era ser o centro da vida dele, ser importante a ponto dele querer agradá-la, o que infelizmente não acontecia.


Uma história real, sendo o nome da personagem fictício, é trazida com o objetivo de demonstrar de maneira clara como ocorre na prática a dependência emocional, com a intensidade de sofrimento envolvido, onde a pessoa sente-se aprisionada, porém sem forças para modificar suas atitudes.


O medo de perder a pessoa a quem tanto afeto direciona é uma constante e isso deve-se à autoestima frágil e rebaixada, o que também é responsável pelo sentimento de ciúme e medo da rejeição.


A pessoa sente tanta necessidade de agradar que acaba passando por cima de suas próprias vontades para satisfazer ao parceiro, por vezes até mesmo aceitando situações constrangedoras e humilhantes a fim de manter o relacionamento.

Qual seria o motivo do comportamento dependente? Muito provavelmente estamos diante de uma pessoa que foi privada de cuidados na infância e que, portanto, acredita que sua dedicação máxima ao relacionamento produzirá o afeto que não teve dos pais ou cuidadores. E quando isso não ocorre, ou seja, esse afeto não é correspondido ou não está a altura da sua idealização a pessoa adoece, sendo comuns os sintomas de ansiedade e depressão.


O tratamento recomendado é a terapia cognitiva comportamental, onde serão trabalhadas as crenças desse paciente, com objetivo modificar sua percepção a respeito de relacionamentos, demonstrando que o amor não dói, não aprisiona, não inferioriza, não cobra e não faz sofrer.


Por meio da psicoeducação, questionamento socrático e outras técnicas, o profissional tende a mostrar ao paciente como funciona um relacionamento saudável entre as pessoas envolvidas e gradativamente também vai trabalhando questões fundamentais como autoconhecimento, autoestima, autocuidado e assertividade.


Eu acredito na capacidade do ser humano, por meio do aprendizado e da força inerente a cada um, reinventar-se e modificar situações que não estão de acordo com um caminho de paz e tranquilidade. Assim, independente dos traumas que a pessoa carrega ela pode, deve e merece ser feliz em qualquer tempo, redescobrindo o seu valor e amando-se mais a cada dia, nunca diminuindo seu valor para pertencer a uma relação.


Obrigada por acompanhar o Jornal do Juvevê e a coluna de Psicologia Vida Plena Psi, até a próxima.





Cláudia Ducci Hartmann

Psicóloga CRP 08/37672

@psi.claudiaducci


Revisor Maurício Ducci Hartmann


fonte

Bution, Denise Catricala, & Wechsler, Amanda Muglia. (2016). Dependência emocional: uma revisão sistemática da literatura. Estudos Interdisciplinares em Psicologia, 7(1), 77-101. Recuperado em 25 de abril de 2023, de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2236-64072016000100006&lng=pt&tlng=pt.

112 visualizações7 comentários

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7 Comments


Guest
Apr 28, 2023

Um texto bastante interessante por destacar um tema infelizmente muito comum. Pessoas com baixa auto estima, sendo vítimas de relacionamentos abusivos e com dificuldade de sair deste relacionamento por viverem uma deontia dependência emocional. Parabéns pelo conteúdo Claudia.

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duccihartmann
May 16, 2023
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Obrigada pelo comentário, continue acompanhando o Jornal do Juvevê.

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Guest
Apr 28, 2023

Questão extremamente importante. Aprender a se amar e a se cuidar primeiramente, para depois poder amar plenamente quem nos ama. Ao contrário do que muitos possam pensar, isto não significa narcisismo, é autoestima, autocuidado e autodeterminação na primeira pessoa. 🌼

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duccihartmann
Apr 28, 2023
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Obrigada por seu comentário, concordo inteiramente contigo. Muitas vezes ao se colocar em primeiro plano, a pessoa passa a ser vista como egoísta, porém não se trata disso. Para amar é necessário saber amar a si mesmo.

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Guest
Apr 28, 2023

O que se leva em consideração no belo texto/tema é de que você se depara com uma situação até bastante comum e isto é notório principalmente em experiências vividas por casais onde a esposa geralmente é quem faz o papel principal na questão do relacionamento conjugal feliz e próspero..

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duccihartmann
Apr 29, 2023
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Exatamente, a situação é mais comum do que imaginamos e pode transparecer um relacionamento feliz visto por quem está de fora.

Agradeço seu comentário e também por ser leitor assíduo da Coluna.

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