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  • Foto do escritorJornal do Juvevê

Carteiradas


Houve uma época em que os bares do Brasil, com a anuência das autoridades, eram repletos de maquininhas caça níqueis. O jogo era proibido, mas a polícia fazia vista grossa.


Com o tempo, a exploração dessa atividade foi combatida e quase (quase) erradicada pela repressão e prisão dos contraventores.


Dionísio, que ganhava um bom dinheiro com as comissões pelo jogo, quando viu que ia complicar a situação devolveu as maquininhas ao mafioso e contentou-se com a renda do bar.


Certo dia houve um bom movimento na casa com mulheres e crianças que vieram lanchar além dos frequentadores que sempre faziam plantão. Foi quando chegou a polícia com suas pistolas e metralhadoras acompanhada de um oficial de justiça, com uma ordem judicial para vasculhar o ambiente porque havia denúncia de exploração do jogo no local. Nessa época Dionísio já havia ampliado o bar, passou a servir refeições e foi morar no andar de cima.


Os policiais reviraram todos os cômodos e nada encontraram. O oficial quis então explorar o andar de cima. Ademir protestou e disse que não permitiria, pois se tratava da residência da família. O oficial começou a pressionar e ameaçar.


Foi quando Dr. Daniel que estava até o momento em sua tranquilidade se manifestou:


- Posso ler o mandato?


Depois de analisar o documento com toda a sua paciência, encarou o oficial:


- Aqui não diz que vocês podem fazer busca e apreensão na residência, só no estabelecimento comercial.


- Olha aqui, minha credencial. Quem é a autoridade aqui? Quem o senhor pensa que é?


Doutor Daniel, com toda a calma do mundo, tirou do bolso do paletó sua carteira e identificou-se como promotor de justiça.


Depois disso ficou uma boa hora dando lição de moral na “autoridade”. Explicou com toda paciência que não devia abordar daquela forma, assustando as crianças, com gritos, que antes de invadir com a guarda armada deveria pedir educadamente ao proprietário para fazer a vistoria, e só chamar a guarda se este se recusasse a permitir. Se quisesse vistoriar o andar de cima seria permitido, mas que voltasse ao juiz da ação e trouxesse um novo mandato.


Nunca mais voltaram.


Watson

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