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  • Foto do escritorJornal do Juvevê

BAR DOS DIONÍSIOS


3 - Nem só alegria.


Todos sabem como são tênues as linhas que separam a degustação esporádica do vício, e deste para o consumo excessivo do álcool.


As vezes a evolução de uma zona para

Imagem ilustrativa

outra pode levar anos, as vezes parece não existirem fronteiras e poucos conseguem manter uma rotina segura no consumo da bebida depois de conhecer a vida na boêmia, em bares e festas, outros menos ainda levam uma vida abstemia.


Existem diversos estudos envolvendo condição social, genética, psicologia e outras ciências, com mais teorias sobre o alcoolismo, hipotéticas ou empíricas, tentando entender ou explicar a dependência, o vício. Mas não vou me estender nesses assuntos por não pretender julgar ou avaliar nossos companheiros alcoolistas que já romperam as últimas fronteiras, a que separa uma vida venturosa de uma em degradação, e a outra que separa a vida da morte.


Me recordo de alguns desses companheiros, os mais velhos devem conhecer outros tantos, que já atravessaram todas as fronteiras e é para eles que dedico esta crônica, sem cita-los nominalmente, mesmo que não possam mais me cobrar pela exposição de seus nomes e seus males, é uma questão de respeito.


Percebo que alguns tiveram muito dinheiro, viajaram o mundo, exibiram carrões que um dia quase destruíram sob efeito da “marvada”, que exibiam paletós chiques, relógios finíssimos.


Alguns que tinham um pouco desse poderoso metal, viviam medianamente e com simplicidade e desperdiçaram mais do que podiam. Alguns que nada tinham, moradores de rua, pedintes, “um Real pra ajudar a comprar uma barriquinha em noite de inverno”. Todos com algo em comum, todos seres humanos, todos consumidores contumazes da bebida.


Às vezes, chegando sóbrios ao bar, às vezes, em “via-sacra”, não exibiam sinais de embriaguez por estarem “calejados” (jargão de boteco que indica a resistência adquirida ao longo do tempo), conversavam normalmente contando aventuras e desventuras, riam e faziam rir, solícitos repartindo a bebida, homens e mulheres, pois houve elas também, com corações de pura compaixão.


Conselhos? Como alguém que está bebendo pode aconselhar o outro com sede?

Essas criaturas de alma pura, vida leve e inconsequente, foram tomadas do nosso convívio, arrancadas de suas famílias, atravessaram a última fronteira por não resistirem à tentação de mais um gole. Não sei se foi porque não quiseram, não puderam, não tiveram outra opção, não sei...


O que sei é que sinto saudades, que eles nos fazem falta.

A ciência já criou os “engov’s” da vida, para suprimir a ressaca, ela também pode curar a necessidade compulsiva, essa que leva alguns de nossos queridos a marchar contra as fronteiras. Numa guerra contra um inimigo mais forte, mais degradante e mortal.


Para a nossa saudade...


Watson


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