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  • Foto do escritorJornal do Juvevê

BAR DOS DIONÍSIOS

Atualizado: 24 de out. de 2022



Estudantes, advogados, guardadores de carros, desembargadores aposentados, outros aposentados, servidores públicos, moradores de rua, comerciantes, de esquerda e de direita, de diversas matizes sexuais, loucos por futebol ou por rock, pescadores e outros mentirosos, artistas de todas as artes, uma para refrescar, uma para esquentar, afogar as magoas, comemorar, tirar o estresse, tudo muito junto e misturado.

Há mais de trinta anos que nesse ambiente, um bar “raiz” com mesa de sinuca, tira gostos no cardápio, petiscos oferecidos pelo dono ou por um ou outro frequentador, churrascos de aniversário, de formatura, pelo churrasco, e muita cerveja, cachaça, as mais variadas bebidas alcoólicas, nessa Babel de sotaques. É aqui, no Bairro Juvevê em Curitiba que essas criaturas se juntam e se misturam para conversar, beber e comer. Trata-se da Lanchonete Aquários, pros íntimos, Bar do Dionisio.

A casa é simples, meio alvenaria, meio de tábuas, assoalho em parte de madeira, hoje com patrocínio da marca Original, tem pintura em tom palha com logomarcas estampadas em azul, balcões de madeira seguem em direção ao fundo do estabelecimento dispostos em um “L” , há uma porta lateral que dá acesso ao andar superior por uma escada que passa por dentro do bar, um aquário junto à porta da frente onde fica a chapa e onde se preparam os sanduiches e espetinhos, adereços típicos de botecos com frases também típicas, prateleiras com as mais diversas espécies de bebidas, camiseta da banda Jovem Dionísio exposta, nos fundos do salão estão caixas plásticas de cerveja vazias ou esperando para abastecer os freezers quando preciso, empilhadas em uma mistura gráfica de azul, amarelo, vermelho e verde, dois banheiros sempre que possível limpos, um com porta e louças azuis para os meninos, outro com porta e louças rosas para as meninas, há um espelho emoldurado em uma das paredes ao fim do corredor que dificulta aquelas olhadelas masculinas quando as meninas vão ao banheiro, banquetas pesadas dispostas em frente aos balcões, nos quais estão bem fixados cintos de segurança, modelo que era utilizado no antigo Chevette e que teoricamente serviriam para proteger aqueles que “se passam” no consumo da bebida, ou caso o Pedrinho se desequilibre durante o sono. Na parede lateral há duas plaquinhas de bronze homenageando clientes queridos já falecidos e outra homenageando um futuro falecido. E, por último, porém, não menos importante, a mesa de sinuca que agora tem revestimento em tecido azul, importado, com a estampa “acorda Pedrinho”. Como o salão não é esquadrado em 90 graus, de um lado da mesa não se consegue jogar com os tacos normais, por isso há no expositor dos tacos, ao lado do quadro de giz para marcação do placar, um taco de pequeno porte (também chamado Pedrinho).

Até aqui não há nada demais, um bar raiz como tantos outros semelhantes pelo Brasil. Então, por que estas crônicas? Mais uma tentativa de surfar a onda de sucesso da Banda Jovem Dionísio? Primeiro é bom esclarecer que não sou escritor profissional, que não tenho formação em literatura, que essas crônicas que vem a seguir não são escritas com nenhuma intenção literária ou comercial. Minha intenção resume-se em registrar e preservar na memória dos nossos companheiros de tantos anos, criando calos nos cotovelos apoiados no balcão, histórias, casos, passagens, fatos, devaneios. Todas essas ocorrências, talvez comuns em todos os botecos Brasil a fora. Mas que entre nós, e egoisticamente para nós, tem suas

peculiaridades e que fazem parte de nossas vivências. Se alguns que não conviveram neste ambiente ao lerem essas crônicas forem tocados por alguma emoção isso será obra dos fatos e não da capacidade criativa ou literária do autor.

-Mas afinal, vai ficar falando da tua incompetência, ou das crônicas que pretende contar?

-Calma! Já chego lá. Como amador precisava apresentar minhas desculpas.

Continuando...

Você já pode imaginar que esse bando de loucos reunidos, alguns altos do chão, só pode dar em conversa fiada, filosofias características, salvação do mundo, a teoria do “se”, futebolisticamente todos técnicos, na política, a sua maneira, cada um pode salvar o Brasil, e muita, mas muita risada. Pois é, é por aí mesmo, pretendo ir por esse caminho, mas não com aqueles casos que são comuns a todos os botecos, tenho a pretensão de narrar o inusitado, o único, o que só poderia ter acontecido aqui, com estes personagens.

Já tenho em mente vários assuntos: O início, o fim e o meio. Não, não, a história do bar, o próprio Dionísio, os calotes que deram errado e os que deram certo, pequenas encrencas, frequentadores famosos, personalidades estranhas, e muito mais. Sempre com o respeito necessário, citando apenas os que autorizarem e sem constranger ninguém.

Espero, sinceramente, dar conta do recado.

Watson

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