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  • Foto do escritorJornal do Juvevê

Absurdos, seis reais!


Tão logo a Prefeitura anunciou o aumento no valor da passagem, muitas críticas e reclamações surgiram por parte da população. Aqui na Câmara de Vereadores, a oposição seguiu o mesmo caminho. Por outro lado, a Prefeitura se apressou em justificar o aumento colocando a culpa no Governo Federal que retornou os impostos PIS/PASEP e COFINS sobre combustíveis.


No meio dessa confusão, o que ninguém te contou é que o retorno dos impostos federais citados acima vale apenas para gasolina e álcool! A Medida Provisória 1.157/2023 prorrogou a desoneração desses tributos até 31/12/2023, incidentes sobre óleo diesel, biodiesel e gás liquefeito de petróleo… até onde sei, nenhum ônibus de Curitiba é movido à álcool ou gasolina.


Outro ponto que vem me incomodando é a resposta para uma pergunta que tenho me feito há muito tempo: a Prefeitura tinha outras alternativas para evitar subir o valor da passagem? E a resposta é: SIM!


O sistema de transporte coletivo de Curitiba, segundo dados da URBS, é deficitário. Isso significa dizer que, para arcar com os custos do sistema, o valor da tarifa cobrado na catraca teria que ser superior a R$7,00 (tarifa técnica). Para fechar essa conta, a Prefeitura complementa com subsídio o valor restante, com recursos dos impostos pagos pelos cidadãos curitibanos. Ou seja, direta (catraca) ou indiretamente (subsídio), quem paga todo o custo do sistema de transporte coletivo é o cidadão.


Para reduzir os custos do sistema, tenho cobrado repetidamente da Prefeitura que busque receitas extratarifárias, receitas advindas de outras fontes, que não sejam do aumento da tarifa paga pelo usuário. Entre elas, as mais utilizadas em outras cidades, estão a possibilidade de plotagem da parte externa dos ônibus com publicidade e a permissão de parcerias com a iniciativa privada para o uso de “naming rights” (nomeação de estações tubo e outros equipamentos públicos com publicidade de empresas, por exemplo: “Estação Central - O Boticário”).


Essas formas de arrecadação de receitas extratarifárias já são realidade em outros lugares do mundo e trazem uma receita importante para o sistema, possibilitando a redução dos custos e, por consequência, redução da tarifa.


E por que isso não é feito em Curitiba?? A minha opinião é que há uma desconexão muito grande entre as pessoas que tomam a decisão de não buscar todas as formas possíveis de redução da tarifa e aqueles que pagam essa conta! Não há incentivos para que isso aconteça. Quem toma as decisões sobre os ônibus não são os mesmos que, de fato, usam ônibus. E pior: aqueles que usam ônibus não são ouvidos… a estes resta apenas pagar a conta.


Uma das principais funções do vereador é ser uma voz ativa, representando a vontade da população. Pensando nisso, fui às ruas de Curitiba com o objetivo de perguntar para as pessoas o que elas preferem: ônibus com a identidade visual atual e tarifa de R$6,00 (+ subsídio), ou publicidade na parte externa e uma tarifa menor?


O resultado não deveria surpreender os tomadores de decisão do município: a esmagadora maioria escolheu a segunda opção. O povo quer pagar MENOS!


E você? O que você prefere?


Amália Tortato - Vereadora de Curitiba

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