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  • Foto do escritorJornal do Juvevê

A última plaquinha. (Até o momento)


Esta de mármore foi colocada pelo Júlio em homenagem ao pai, Seu Higino.


Diz: “Nessa mesa está faltando ele”.


Bem, vamos ao mestre, era escrivão de polícia e por isso muito bem tratado pelo Luizinho, dono do bar ao lado (antes do Ricardo comprar e virar pastelaria) só porque fazia jogo do bicho e morria de medo de polícia.


Quando passou a frequentar o Bar do Dionísio sempre que encontrava a mesa de sua preferência vaga ficava no mesmo cantinho, os que o conheciam ao vê-lo adentrar o estabelecimento se estivessem sentados naquela mesa rapidamente mudavam de local. Se não o conheciam e continuavam a ocupar, ele aguardava até que o lugar ficasse vago para imediatamente se sentar.


Vinha com o filho, tomavam duas ou três e Júlio o chamava para ir embora, ao que o pai concordava, mas Júlio ia ao banheiro e ao retornar via outra garrafa sobre a mesa.


- Colocaram aí! – Despistava o pai. E nessa iam mais duas ou três.


Também sacaneava o neto que o trazia e no horário combinado voltava para buscá-lo.


Figura:


- Seu Higino, seu neto está lá fora lhe esperando. (O neto parava o carro em local proibido com o alerta ligado e aguardava a boa vontade do avô)


Sem dar atenção ao Figura:


- Então dá mais uma aí Dionísio!


Contam os que estavam no bar no dia do funeral de Seu Higino que no momento em que ele era sepultado percebeu-se uma brisa no ambiente, que o assoalho se curvou e rangeu como quando ele entrava no bar com seu sobrepeso. Todos acreditam que ele veio se despedir.


Watson

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